Teste Orbea Occam TR M30

POR: Tiago Rio
FOTOS: Tiago Rio | RIDER: Joel Reis

A Orbea é uma empresa com mais de 175 anos de existência, que começou como fabricante de armas, mas que nos anos 30 mudou a sua orientação e passou a produzir bicicletas. Apesar da sua antiguidade, mantém os olhos postos no futuro tendo investido fortemente no design dos seus produtos, o que é por demais evidente ao olhar para esta Occam. Começando pelas bonitas formas do quadro de carbono, até aos pormenores dos acabamentos – nada foi deixado ao acaso. Disponível em duas combinações de cor: o cinzento e verde turquesa com pintura mate – mais discreto e elegante; e em cor de laranja com acabamento brilhante – com mais impacto visual.

Mas muito mais do que apenas uma cara bonita, esta Orbea tem muito argumentos para nos impressionar nos trilhos. Ostentando uma geometria moderna, com um quadro longo e uma distância entre eixos considerável, a Occam é uma bicicleta muito estável quando roda a velocidades mais elevadas. O facto de o tubo superior ser mais comprido permite a utilização de um avanço de guiador bastante curto (50mm) sem comprometer o conforto ou uma posição correta a subir.

O eixo pedaleiro baixo e um ângulo de direção descontraído (68º) ajudam esta bicicleta de roda 29” a ter uma manobrabilidade exemplar, embora seja necessário um pouco mais de músculo para a inserir em trajetórias mais apertadas, do que numa bicicleta com rodas de dimensão inferior. A contrapartida inevitável, é que devido à baixa altura ao solo é fácil bater com os pedais em raízes e pedras, mas achamos que esse é um pequeno preço a pagar, tendo em conta o bom comportamento geral da bicicleta.

Basta que o trilho seja ligeiramente a descer, e a Occam ganha velocidade de forma impressionante, acelerando por cima de buracos, raízes e pedras como se nada fossem. Essa é claramente a vantagem das rodas 29”, que aceleram e mantêm a velocidade sem esforço ao passo que proporcionam um nível de conforto superior. Nada mais fácil que compararmos os nossos tempos no Strava, para avaliar a rapidez desta bicicleta, que se evidenciou com a superação de alguns recordes pessoais e a obtenção de um KOM.

Dupla Personalidade

Ao contrário de outras marcas que no mesmo modelo, mantêm o curso de suspensão igual nos diversos tamanhos de roda, a Orbea equipa as Occam AM de roda 27,5” com um curso de 140mm, enquanto nas Occam TR de roda 29” esse valor é reduzido para 120mm.

O sistema de suspensão traseiro baseia-se num single pivot, mas foi meticulosamente desenhado para fugir aos tradicionais problemas inerentes a este tipo de design. O eixo traseiro não possui nenhum pivot, são as escoras em carbono que fletem para acompanhar o movimento da suspensão. Em conjunto com os 148mm de largura no eixo traseiro (Boost), compõem uma traseira extremamente rígida e praticamente isenta de torções percetíveis.

Com a alavanca de regulação do amortecedor Fox no valor mais firme, a bicicleta assume um carácter mais Cross-Country, com uma resposta mais imediata ao pedalar, transmissão de potência eficaz, embora não prejudique de forma sensível o conforto. Não sobe com a mesma ligeireza de uma bicicleta de puro XC, mas brilha nas subidas técnicas em piso mais irregular, onde a excelente tracção traseira mantêm constantemente a roda colada ao solo.

Se escolhermos colocar o amortecedor na posição mais aberta, a sensação transmitida é a de uma bicicleta com mais curso, com um comportamento muito semelhante a uma trail de 140mm de curso. Todavia nota-se um pouco o bombear na suspensão quando pedalamos, e perde-se alguma eficácia nas subidas. Mas gostámos imenso desta dupla personalidade, que com o rodar de uma alavanca se transforma de uma bicicleta bem comportada e amigável a subir, numa máquina devoradora de singletracks.

É nesse momento que se torna óbvio que a Occam premeia uma condução mais agressiva, mantendo uma compostura de fazer corar bicicletas com mais curso, inspirando confiança, fluindo pelas curvas a todo gás, e atacando as descidas sem medo. Apesar de a curva do tubo do selim impedir de baixarmos o espigão até à posição que gostaríamos, nunca tivemos a sensação de irmos numa posição demasiado elevada mesmo nas descidas mais íngremes, pois a reduzida altura dos pedais ao solo mantém o centro de gravidade baixo e permite curvar sem problemas, enquanto a longa distância entre eixos assegura a estabilidade.

À sua medida

Para que possa personalizar a bicicleta ao seu gosto, a Orbea apresenta no seu site algumas opções de configuração, bem como o respetivo custo de cada upgrade. Pode por exemplo trocar a suspensão Fox Performance por um modelo da linha Factory, podendo optar até por uma Fox 34, em vez da 32 que vem de origem. Ou equipar um espigão de selim telescópico Race Face Turbine Dropper.

A versão que nos chegou às mãos vinha equipada com um pedaleiro SLX de prato único com 32 dentes, uma mais valia tendo em conta não apenas a redução de peso, mas sobretudo pela facilidade na escolha da mudança correta a utilizar. Pode no entanto optar por um pedaleiro duplo se assim preferir.

A combinação de pneus Maxxis Ardent (à frente) e Forecaster (atrás) é bastante equilibrada, rolando com pouco atrito, mas proporcionando uma boa aderência em piso seco, e aceitável em terreno molhado.

Um ponto menos positivo é a travagem dos Shimano M506, que apesar do comportamento consistente, não exibem uma travagem muito potente. Mas por mais 119 euros, tem a opção de trocar por uns XT M8000, que são uns travões bem mais condizentes com o nível de equipamento desta Occam.

O veredicto

Não podemos deixar de recomendar esta bicicleta como um exemplo do que é o verdadeiro espírito All-Mountain, uma faz-tudo que nos leva a todo o lado e brilha seja a subir ou a descer. A Occam é a prova que se pode possuir apenas uma única bicicleta, divertir-nos numa variedade de trilhos e chegar ao fim do dia com um sorriso nos lábios.

FICHA TÉCNICA

Prós: Trepa trilhos técnicos com imensa facilidade. Óptima aceleração e comportamento a descer.

Contras: Os travões podiam ser mais potentes.

Preço: €3.699

Site do fabricante