Teste Canyon Strive CFR

POR: Tiago Rio
FOTOS: Tiago Rio | RIDER: Miguel Barros

A Canyon Strive, modelo para Enduro da marca alemã, foi redesenhada em 2019, sendo as alterações mais significativas a passagem para roda 29” e a inclusão do atualizado sistema Shapeshifter desenvolvido para melhorar a eficácia nas subidas. Em 2020 chegaram 2 versões CFR (Canyon Factory Racing), que se apresentam como os modelos mais leves e bem equipados da gama. Para teste chegou-nos a mais económica destas duas versões, a Strive CFR, com um impressionante peso abaixo dos 14kg, e com um preço de venda de 5.999 euros. Conta com um curso de suspensão de 170mm à frente e 150mm atrás.

Comportamento

É uma bicicleta desenhada para a competição em Enduro, e será vista nas mãos dos pilotos da equipa de fábrica Canyon logo que a competição no circuito EWS seja retomada. Está mais vocacionada para pilotos experientes que escolhem com precisão as melhores linhas, e não para apontar a direito e passar por cima de tudo. Como é uma bicicleta muito leve, em andamento sentimos imensa facilidade em manobrar, é bastante ágil e divertida, e muito rápida na saída de curvas. É bastante composta nas zonas mais íngremes, oferecendo imensa tração. O reverso da medalha é que devido ao baixo peso, nas zonas mais duras sentimo-la mais nervosa e com alguma falta de estabilidade. É uma bicicleta excelente para quem pretende mais do que um modelo de Trail pode oferecer, mas não é para quem quer uma bicicleta de downhill que dê para pedalar nas subidas.

Dupla personalidade

Para além de atualizações na geometria, conta com a nova versão do sistema Shapeshifter que a torna numa bicicleta 2 em 1: por um lado uma trepadora rápida e ágil, por outro uma máquina confiante a descer. No lado esquerdo do guiador encontramos o controlo remoto com 2 botões, que nos permitem ativar o modo de subida, ou retornar ao modo padrão mais apto para descer.

Mas desengane-se quem pensa que o sistema Shapeshifter é o típico botão que bloqueia o amortecedor, na verdade o Shapeshifter não controla o amortecedor, mas sim a geometria da bicicleta. Movendo o ponto de apoio superior do amortecedor reduz o curso traseiro para 135mm, altera os ângulos do tubo de selim e da direcção em 1.5 graus, e por conseguinte modifica a curva de progressão da suspensão traseira, mudando assim o comportamento da bicicleta.

A geometria da Strive está longe dos números mais extremos que alguns modelos da concorrência apresentam, com um ângulo da direção de 66 graus, e um ângulo de selim de 72,9 graus. A já referida alteração de 1.5 graus ao ativar o modo de subida, move o ângulo do selim para 74,4 graus o que a torna bem mais confortável a pedalar.

Mesmo sem ativar o modo de subida, a Strive já é uma escaladora competente, devido ao seu baixo peso. Mas a alteração que o Shapeshifter produz elimina quase por completo a sensação de bombear, e a entrega de potência eficaz torna-a numa das bicicletas de Enduro mais capazes a subir.

Uma vantagem adicional deste sistema é a sua compatibilidade com qualquer marca de amortecedor, permitindo uma fácil substituição no futuro se necessário, ao contrário de outras marcas de bicicletas que montam sistemas semelhantes mas que dependem de amortecedores desenhados especificamente para o seu sistema.

Equipamento

Todos os componentes montados nesta bicicleta fazem brilhar os olhos de qualquer betetista. O grupo de transmissão XTR com a sua performance infalível, as rodas de carbono DT Swiss EXC 1200 leves e robustas, montadas com os ultra-competentes Maxxis Minion DHR, o pedaleiro de carbono Race Face Next SL… enfim, tudo aquilo que podíamos sonhar para montar numa bicicleta de performance irrepreensível. O conjunto de suspensões Fox assegura o conforto, e os travões XTR de quatro pistões oferecem uma potência de travagem enorme mas controlável. Na verdade, pouco mais há para dizer quando estamos tão perto da perfeição!

Perfeição nos detalhes

O quadro apresenta linhas bem elegantes, com acabamentos irrepreensíveis. Nada foi deixado ao acaso e por isso a Strive conta com diversos pormenores que beneficiam o look geral da bicicleta, como as proteções de borracha no tubo inferior e nas escoras, ou o eixo traseiro ‘Canyon Quickle’ que arruma a alavanca de aperto dentro do próprio eixo, uma solução bastante elegante.

Apesar de o preço desta bicicleta não estar ao alcance de todos, a oferta generosa de equipamento de topo torna-a num dos modelos com melhor relação preço-qualidade no mercado. E garantimos que é uma das mais versáteis bicicletas, boa a subir e a descer, e torna qualquer trilho mais divertido.

FICHA TÉCNICA

Prós: excelente equipamento e baixo peso; ágil é fácil de manobrar; boa na saída de curvas

Contras: pouco robusta nas zonas mais duras, com alguma falta de estabilidade

Preço: 5.999 euros

Site do fabricante