Chegou a nova Specialized Tarmac

POR: Tiago Rio

Quando chegou a hora de desenhar a nova Tarmac, a Specialized olhou para as provas profissionais para perceber como poderia melhorá-la. Tendo em conta as necessidades extremas dos melhores ciclistas do mundo, a Specialized sabia que precisava da qualidade de condução proporcionada pela tecnologia Rider-First Engineered™, mas num conjunto mais leve, mais rápido e mais cómodo.

Para alcançar este objetivo a marca teve que colocar de lado o design tradicional e redesenhar totalmente a nova S-Works Tarmac.

Rider-first Engineered™

Quando em 2014 a Specialized introduziu a tecnologia Rider-First Engineered™ na Tarmac, significava que cada tamanho de quadro seria desenvolvido de forma independente e segundo os índices de rigidez específicos por cada ciclista em cada bicicleta.

Isto resultou numa experiência uniforme para todos os ciclistas, independentemente do tamanho do seu quadro. Por outras palavras, isto significa que nem os ciclistas mais baixos voltam a sentir excesso de rigidez, nem os mais altos a falta da mesma. De facto, é oferecido a todos a experiência exata para a qual foi concebida: performance rápida e previsível.


Contudo, para a nova Tarmac, a Specialized atualizou o processo Rider-First Engineered™ para ter em consideração mais fatores do que apenas a agilidade. Com base na aprendizagem adquirida através da associação com a McLaren Applied Technologies, a Specialized integrou uma simulação de análise estrutural que proporciona um estudo de cada camada de carbono colocada em cada quadro, com testes em tempo real realizados no túnel de vento da marca e a dinâmica CFD.

A utilização simultânea destas ferramentas significa que cada fator de rendimento analisado – a rigidez, a eficiência aerodinâmica e o peso – pode ser medido e comparável com outros, assegurando assim que uma alteração realizada com o objetivo de aumentar o rendimento não afete outro. O diretor de investigação e desenvolvimento da Specialized, Chris Yu , utiliza a seguinte analogia para explicar o processo de desenvolvimento:

“Ao Co-otimizarmos tendo em conta todos os nossos diferentes objetivos de rendimento, podemos atingir um rendimento geral do sistema que sem estes estudos simultâneos seria inalcançável. Pensa no objetivo de rendimento que pretendemos alcançar como o topo de uma pirâmide. Os diferentes lados competem entre si: o peso, a qualidade de condução ou a aerodinâmica. Desenvolver cada uma das caraterísticas da nova Tarmac foi um exercício para encontrar esse pico — há formatos de tubos na bicicleta que, com uma alteração milimétrica, fariam com que a performance do sistema diminuísse e esse pico se desmoronasse, resultando numa bicicleta que teria menos uns watts de aerodinâmica, algumas gramas mais pesada, ou comprometeria o rendimento de condução. Aplicámos este foco em cada elemento de design e decisão de engenharia da Tarmac”. — comenta Chris Yu.

Esta é a primeira vez que este nível de análise chega à industria do ciclismo, e não acaba aqui, este processo de desenvolvimento não se aplicou apenas uma vez, mas sim sete vezes, analisando individualmente cada tamanho de quadro da nova Tarmac para homem e da nova Tarmac para mulher.

Para além da atenção ao detalhe em todo o laminado da Tarmac , a Specialized também desenhou três novas forquetas que utilizam um tubo de direção cónico único para melhorar ainda mais a sensação de condução e de precisão. Cada uma das três forquetas Tarmac unem-se ao quadro através de um rolamento inferior de 1,5 polegadas, permitindo que o carbono se mova entre a coroa da forqueta através do tubo de direção sem criar ângulos severos que fatiguem o material. Mais do que isso, cada tubo de direção diminui dependendo da sua necessidade de rigidez, pelo que as forquetas mais pequenas não têm uma forma cónica para permitir a máxima flexão quando são utilizadas por ciclistas baixos, ao mesmo tempo que os quadros maiores têm forquetas em que o cone chega até à altura do tubo principal para poder proporcionar uma precisão e rigidez como em nenhuma outra bicicleta.

Este novo layup é constituído por mais de 500 peças de carbono, em oposição às cerca de 350 utilizadas na anterior Tarmac, quase eliminando a sobreposição entre camadas. Com isto, e aplicando a co-otimização, a marca manteve a mesma, ou até maior, rigidez do que com camadas sobrepostas, mas com um peso muito menor.

Através destas tecnologias, podemos dizer que cada um dos sete tamanhos têm uma rigidez personalizada, fazendo com que a experiência de cada ciclista seja exatamente a mesma: rígida, mas flexível, ágil e por conseguinte rápida.


RETÜL

Com esta nova fórmula, a Specialized também atualizou a geometria com base em inúmeros dados obtidos através de estudos biomecânicos Retül, realizados com os atletas profissionais da marca. Isto permitiu desenvolver uma geometria de competição de estrada que combina na perfeição uma dianteira sensível e reativa com uma distancia entre eixos curta, proporcionando uma resposta instantânea e uma ótima transferência de potência.

A Retül converteu-se numa parte integrante do processo de desenvolvimento, já que cada ajuste captado pelos técnicos de Fit certificados alimenta uma base de dados construída com ajustes de ciclistas reais. Isto permite perceber melhor a posição dos ciclistas sobre a bicicleta e ajustar a geometria do quadro e das especificações dos componentes para que se adaptem melhor a um futuro utilizador.


Da mesma maneira que, com as análises da Retül sobre a posição dos ciclistas, a Specialized pode captar e compreender melhor as impressões dos seus profissionais World Tour. Esta compreensão mais profunda do posicionamento dos ciclistas permite interpretar as suas sensações durante a condução e traduzi-las em melhorias.

Mais leve - 733 gramas no tamanho de 56cm.

Trata-se de uma poupança de 200 gramas de peso comparativamente à anterior Tarmac Rider-First Engineered™. Como referido anteriormente, esta diminuição de peso vem da capacidade de co-otimizar cada um dos objetivos de rendimento da Tarmac, de maneira a que a redução de peso não afete negativamente a condução nem o rendimento aerodinâmico.


Para isso, a marca desenhou com a maior precisão o tamanho de cada folha, garantindo uma colocação de cada camada de forma incrivelmente precisa, e com dobras maiores para que quando se expandem durante a modulação, criem sobreposições mais pequenas sem criar buracos.

Pintura ultraleve

Este é um processo patenteado tal como a pintura Specialized que apenas soma mais 10 gramas, ou o peso de nove gomas de ursitos, à S -Works Tarmac Ultralight.

Win tunnel engineered

A aerodinâmica é a coisa mais importante a desenvolver para que se possa ir mais rápido. Com isto, o objetivo foi essencialmente descobrir onde se pode tornar a bicicleta mais aerodinâmica, sem retirar nada às caraterísticas do design da Tarmac. Portanto, evitou-se aumentar a sua aerodinâmica onde com isso se acrescentasse uma grama ou se alterasse a rigidez. O desenvolvimento aerodinâmico da Tarmac foi o resultado de um processo interativo de seis meses, mas aplicando conhecimentos de mais de seis anos, mais os dados de inúmeros projetos aerodinâmicos que foram impulsionados pelo desenvolvimento da Tarmac.


No final, a marca descobriu três áreas onde podia acrescentar aerodinâmica de forma “gratuita”: uma nova forma de forqueta, escoras baixas com tubos aerodinâmicos e um espigão de selim e tubo de selim em forma de “D”. O resultado? Uma bicicleta que é aproximadamente 45 segundos mais rápida em 40 quilómetros em comparação com outras bicicletas na mesma categoria de peso.

Nova forma de forqueta

Na forqueta o foco orientou-se duas áreas principais: no formato dos braços e na altura da coroa. Com o objetivo de manter a qualidade e o rendimento da Tarmac, foram desenvolvidos e otimizados aerodinamicamente os braços da forqueta com três tamanhos diferentes. As bicicletas de tamanhos 44-52, 54-56 e 58-64cm recebem forquetas especificas e que contam com um perfil aerodinâmico interrompido variando consoante os seus requisitos de rigidez. O resultado são forquetas visivelmente diferentes em tamanho, mas que funcionam para minimizar o perfil frontal tanto quanto possível.

Escoras mais baixas

Colocar escoras superiores mais baixas na Tarmac coloca-a em linha com as outras bicicletas de competição de estrada da Specialized. Durante o desenvolvimento da Shiv TT original, a marca aprendeu que ao baixar a união das escoras no tubo de selim poderia “esconder” os tubos do vento com pouco ou nenhum custo de rigidez. Com o tempo, desenvolveu-se esse design na Venge ViAS, na Roubaix e inclusive na Allez e na Allez Sprint. Uma vez mais, graças à co-otimização das lâminas de carbono, foi possível modificar a construção do quadro para oferecer escoras inferiores mais baixas e melhorar a aerodinâmica, ao mesmo tempo que se aumentou a capacidade de resposta e a elasticidade vertical.

Tubo de selim e espigão em forma de “D”

O desenvolvimento do espigão de selim foi fundamental para melhorar o rendimento aerodinâmico e a comodidade. A marca começou por estabelecer um parâmetro para que a flexão do espigão fosse igual ou maior do que na última Tarmac.

Qualquer ganho adicional de aerodinâmica teria que ser feito sem sacrificar a comodidade do ciclista. Para o conseguir, a marca chegou a um espigão com perfil aero interrompido em forma de “D”, que oferece resultados aerodinâmicos muito melhores. Otimizou-se também o seu laminado para aumentar progressivamente a rigidez em toda a longitude do espigão de selim.

Isto significa que a maior flexão é criada junto à cabeça do espigão para proporcionar o maior conforto possível, enquanto que o seu formato em “D” lhe proporciona uma vantagem aerodinâmica tangível na zona de fluxo de ar de alta velocidade, entre as pernas do ciclista.

A mesma plataforma para homem e mulher

Graças à associação com a Retül, a Specialized tem acesso a mais de 40 000 pontos digitais obtidos em ajustes biomecânicos. Através desta informação, a marca mudou de filosofia e de foco na hora de abordar o desenvolvimento dos seus produtos. Agora dá mais importância à maneira como as pessoas montam na sua bicicleta do que ao género. O caminho seguinte é voltar a imaginar a sua geometria de quadro tendo em mente tanto as mulheres como os homens.

Mediante a utilização de gráficos dos Fits, observou-se como os homens e as mulheres se adaptam às bicicletas Specialized e assegurou-se imediatamente que as geometrias que se estão a desenvolver funcionam e proporcionam aos ciclistas a experiência que procuram.

Ultimamente, a Specialized desenvolve geometrias com base no desejo de experiência dos ciclistas, por isso é capaz de colocar a maneira como as pessoas pedalam à frente do seu género.

O que é que isto significa para a Tarmac? Agora existe Tarmac para mulher e Tarmac para homem. A Tarmac já não será uma bicicleta de homem, mas uma família Tarmac que serve homens e mulheres que procuram a mesma experiência.